jornal de hontem julho 2017

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A ATUAÇÃO DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA NA 2ª GUERRA MUNDIAL

                                                                                         Prof. Me. Angelo  Moraes

Dizia-se à época dos conflitos da 2ª Guerra Mundial que era mais fácil a cobra fumar um cachimbo do que o Brasil enviar tropas para combater junto aos aliados as forças do Eixo na Europa. Porém, a partir de julho de 1944, a “cobra fumou”. O Brasil, pressionado principalmente pelos Estados Unidos, enviou suas tropas para lutar na Itália fascista de Mussolini. Coube à Força Expedicionária Brasileira (FEB), criada em Agosto de 1943 pela Portaria Ministerial nº 4.744, sob o comando do General João Batista Mascarenhas de Morais, a responsabilidade de representar o país no maior conflito bélico já vivenciado pela humanidade.

O país desde o inicio dos confrontos em 1939 adotava uma ambígua posição de neutralidade. Todavia, entre fevereiro e agosto de 1942, após vários navios mercantes brasileiros serem torpedeados por submarinos ítalo-alemães no oceano atlântico, notadamente ao longo da costa litorânea nordestina, resultando em mais de 500 mortes, Getúlio Vargas, sob intenso clamor popular, declarou oficialmente guerra aos países do Eixo. Entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Liga de Defesa Nacional tiveram papel de destaque no processo de mobilização popular influenciando o posicionamento favorável das ruas à entrada do Brasil na guerra. Em 22 de agosto de 1942 o Brasil corta relações diplomáticas com a Alemanha nazista e a Itália fascista e, logo em seguida, no dia 31 do mesmo mês, é formalizado o estado de guerra contra essas nações com a publicação do Decreto-Lei nº 10.358.

Os vários acordos de cooperação comercial e de transferência de tecnologia realizados com os Estados Unidos do presidente Franklin D. Roosevelt também tiveram um peso considerável na adesão brasileira à guerra. Como exemplo, temos a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), prevista nos chamados Acordos de Washington, que se tornou o mais importante pólo ligado a indústria pesada constituído no Brasil até então, e que, em tese, serviria para abastecer de aço os países aliados envolvidos na guerra. Efetivamente a CSN só começou a operar em 1946, ou seja, após o término do conflito. 

O fato é que o Brasil não possuía armamentos modernos e nem tropas treinadas adequadamente para enfrentar um conflito de tamanha envergadura. Desta maneira é forçoso reconhecer que a criação da FEB esteve associada diretamente a treinamentos específicos de militares brasileiros nos Estados Unidos bem como a um re-aparelhamento da força bélica nacional com equipamentos de procedência norte-americana.

Enfim, em julho de 1944, já na fase final da guerra, desembarcariam na Itália as primeiras tropas brasileiras comprometidas com o esforço de dar solução aos embates que ocorriam em chão europeu. Seria enviado um efetivo de pouco mais de 25000 mil homens até fevereiro de 1945.

O Jornal de Hontem do mês de julho é dedicado à participação dos soldados brasileiros (incluídos aí muitos mato-grossenses) na guerra. Em 15 de julho o periódico O Estado de Mato Grosso estampa em sua primeira página: “Tropas expedicionárias brasileiras desembarcarão em Nápoles.”; no dia 19 de julho de 1944 o mesmo jornal noticia a chegada das tropas em solo italiano: “Soldados da Força Expedicionária Brasileira sob o comando do General Mascarenhas de Moraes desembarcaram em Nápoles”. Em 20 de julho o jornal elenca declarações dos embaixadores dos Estados Unidos e da França no Brasil à época, exaltando a importância da chegada dos soldados brasileiros em terras italianas: “Os soldados do Brasil na Europa – Declarações dos embaixadores dos Estados Unidos e da França – Rego sijo em todo o país – Instalado o serviço postal da F.E.B”. No dia 27 de julho chama atenção a seguinte manchete, “Grande número de matogrossenses integram a força expedicionária que desembarcou em Nápoles”, trazendo informações sobre a origem dos soldados brasileiros que compunham a missão. Segundo reporta um correspondente da agência internacional de notícias Reuters: “Trata-se de um grupo de homens representativo de todo o Brasil. São fortes e excelentes soldados. Grande número deles procedem da região de grandes florestas e campos de Mato Grosso”.

A participação da FEB se deu em duas frentes de combate, a primeira na região do Rio Serchio e a segunda na região do Rio Reno, junto à Cordilheira dos Montes Apeninos, ao norte da cidade de Pistoia. As primeiras vitórias aconteceram em setembro de 1944 quando da retomada das localidades de Massarosa, Camaiore e Monte Prano. Já no começo de 1945 os soldados brasileiros ajudaram a reconquistar as cidades de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese. Ao término da guerra, de um contingente de 25445 soldados enviados à Europa para lutar, a FEB havia sofrido um total de 443 baixas, além de 3000 feridos em combate.    

           

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